No final do ano de 1972, José Adolfo Granville Ponce, na época editor da coleção Ensaios, propôs ao proprietário da editora Ática, Anderson Fernando Dias, a ideia de criar uma coleção para o público jovem, visando o aproveitamento dos livros para a leitura nas escolas, numa proposta paradidática. Surgia assim, com a direção de Jiro Tahahashi, a consagrada Série Vaga-Lume.
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modelo de contracapa usado na década de 1970 |
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contracapa no final da década de 1970 |
Os dois primeiros livros, A ilha perdida e Cabras das Rocas, foram publicados no começo de 1973. No mesmo ano, dois outros livros que haviam sidos publicados no ano anterior na Série Bom Livro, passaram a integrar o catálogo da coleção: Coração de Onça e Éramos seis.
A partir daí, durante o resto da década de 1970, a coleção passou a selecionar livros brasileiros já consagrados e direcionados ao público juvenil, e que haviam sidos publicados em anos anteriores, principalmente na década de 1950, por outras editoras para compor o catálogo da coleção.
Em 1981, o editor Jiro Takahashi decidiu inovar, e solicitou a um conhecido autor de livros para adultos, mas que nunca tinha escrito nenhum livro para o público juvenil (com exceção do infantil Não era uma vez...), que escrevesse um livro para coleção. Esse autor era Marcos Rey e o livro entregue em março de 1981 para publicação foi O mistério do Cinco Estrelas, que foi um estrondoso sucesso de vendas e conduziu a coleção para o estrelato entre os jovens brasileiros na década de 1980 e 1990, conduzindo muitos desses jovens ao hábito da leitura pelos anos posteriores de sua vida.
Do primeiro livro publicado em 1973 até o último título inédito lançado em 2008, O mestre dos games (de Afonso Machado), foram 104 títulos de muita emoção, com histórias de ação, aventura e suspense! A coleção é publicada pela Ática até os dias de hoje (2014), apesar de muitos dos livros lançados na história da coleção já estarem fora de catálogo ou estão sendo lançados por outra editora (como é o caso dos 15 livros de Marcos Rey na coleção que pertence ao catálogo da editora Global). No site da editora (link) consta atualmente, em maio de 2014, 68 títulos na coleção.
Apesar da editora não divulgar números, deduz que a coleção vendeu mais de 5 milhões de exemplares, com o auge nas décadas de 1980 e 1990. Foram também nessas décadas o maior número de títulos publicados na coleção: na década de 1970 foram 11 títulos; na década de 1980, 33; na década de 1990, 42; e na década de 2000, 18 títulos, conforme pode ser confirmado na lista acima.
A coleção trouxe grandes inovações. Foi a coleção pioneira, junto com a Bom Livro, a trazer o livro do professor e o livro do aluno. Trazia também um folheto chamado Suplemento de Trabalho, que usava as mais variadas formas (como charadas, palavras cruzadas e legendagem de histórias em quadrinhos) para proporcionar aos leitores atividades didáticas ligadas ao livro.
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imagem que mostra como eram os Suplementos de Trabalho da coleção |
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Luminoso na década de 1970 |
A série tinha um mascote, uma vaga-lume
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Luminoso na década de 1980 |
chamado Luminoso. O personagem apresentava o enredo do livro para os leitores na orelha do próprio livro, em forma de histórias em quadrinhos criadas pelo ilustrador Edu. Na década de 1970, Luminoso se vestia no estilo hippie e apresentava a história do livro em apenas um balão de diálogo e na contracapa os outros livros da coleção. Na década de 1980, ele passou a apresentar a narrativa do livro no formato das histórias em quadrinhos e nas contracapas a coleção trazia todas as capas dos livros da coleção publicados até então. Nessa época, Luminoso passou a se vestir como um adolescente da época, ou seja, calça jeans e tênis.
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modelo de orelha com as histórias em quadrinhos com o Luminoso |
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layout da capa na década de 70 e 80 |
O formato clássico das capas eram uma
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contracapa típica da década de 80 |
ilustração dentro de um quadrado, sendo que partes de objetos ou pessoas ficavam fora do quadro. Na parte superior da capa vinha o nome do autor e em letras grandes o título do livro. Na parte inferior, era possível ver um pequeno logo da editora e um desenho do Luminoso. Cada capa vinha com uma cor diferente predominando no entorno do quadro da ilustração e no título. Esse formato criado por Ary Normanha Almeida, sofreu pequenas alterações de layout, mas continua sendo usado atualmente, apesar do novo layout dar uma aparência mais moderna para a coleção. Com esse layout, a coleção passou pela década de 1980 com as histórias do Luminoso na orelha e as imagens das capas dos livros na contracapa.
A primeira alteração do layout começou a ocorrer por volta de 1988, quando as quadrados da capa ganharam tons mais neutros e escuros (como marrom). Nesse novo formato, os quadrinhos do Luminoso foram abandonados e a contracapa passou a trazer uma sinopse do livro junto com uma relação dos livros do autor (a) na coleção, além de um pequeno prefácio que apresentava a história do livro. Pode-se ver essa mudança no exemplo mostrado abaixo.
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modelo de capa e contracapa típico da década de 1990 |
Por volta de 1999, o layout da capa passou a mudar novamente. O nome do autor aparecia na parte mais superior da capa em letras itálicas, desvinculado do título, o que não ocorria nos formatos anteriores. O quadro em que se encontra a ilustração voltou a ser produzido novamente em cores mais animadas, mas ele não se fechava na parte superior. O nome da coleção e o desenho do Luminoso passou a ser exposto de maneira vertical num pequeno retângulo de cor diferente da predominante na capa, na parte superior esquerda. O pequeno prefácio continuava o mesmo nessas edições, e o texto da sinopse das contracapas foram alterados, trazendo pequenas ilustrações dos principais personagens da narrativa. Pode-se ver essas mudanças, no exemplo mostrado abaixo.
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modelo de capa e contracapa usado na coleção a partir de 1999 |
Novamente, em 2008, algumas poucas capas de alguns livros da coleção, sofreram uma nova alteração no layout, em comemoração dos 35 anos da coleção. Nesse novo formato, o título do livros passou a ser escrito em tamanho maior e cores mais chamativas e a contracapa trouxe uma pequena biografia do autor com foto.
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layout da capas e contracapas comemorativas de 2008 |
Os livros continha ilustrações em preto e branco de grandes ilustradores brasileiros. O mesmo ilustrador que desenhava as imagens do miolo em preto e branco, disponibilizava uma dessas ilustrações colorizadas para a capa. As capas não tiveram suas ilustrações mudadas com o decorrer da publicação dos livros nos mais de 40 anos de existência da coleção, com exceção apenas de dois livros: O escaravelho do diabo (que foi publicado inicialmente em 1974 e teve todas suas ilustrações internas e a da capa mudada em 1982) e O feijão e o sonho (publicado em 1981 e alterado em 1985). Veja as capas alteradas nos links abaixo:
Em 2008, em comemoração dos 35 anos da coleção, a editora Ática lançou um box contendo 10 livros da coleção: A ilha perdida, O escaravelho do diabo, Açúcar amargo, Éramos seis, Os barcos de papel, Menino de asas, O caso da borboleta Atíria, Um cadáver ouve rádio, A turma da rua quinze, e A árvore que dava dinheiro.
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box comemorativo 35 anos |
Por volta de 1999, a coleção Vaga-Lume ganhou um irmãozinho: a série Vaga-Lume Júnior, direcionada para um público mais infantil do que os leitores da Vaga-Lume. Essa nova série conta com mais de 20 títulos no catálogo, inclusive dois que pertenceram a série Vaga-Lume durante muitos anos: A ilha perdida e Na mira dos vampiros.
Que tal agora seguir os links contidos nos títulos dos livros na lista acima e conhecer um pouco mais desses livros tão especiais para tantas pessoas pelo Brasil afora?